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September 10 Uma historia de amorQuero escrever uma historia de amor Sim, uma dessas bonitinhas, com todos os pontos previsíveis que a fazem simplesmente mais uma historia de amor. Para tal preciso primeiro de um casal de apaixonados: vamos chamá-los de Elle e Ella. Elle e Ella se conhecem no escuro esfumaçado de uma boate, hummmmm, não! Grandes historias de amor começam sempre em lugares ensolarados, de preferência perto da natureza. Façamos assim: Elle é botânico, trabalha em uma estufa de um grande parque, de uma grande capital. (Sim, não se especifica NUNCA o lugar onde uma historia de amor acontece! Ela tem de ser universal!). Em um belo dia de sol, provavelmente primaveril, DEFINITIVAMENTE PRIMAVERIL, eu diria, Ella, que tem uma amiga orquidófila resolve ir até a estufa para encontrar algo apropriado aos gostos “verdes” da amiga, já que cansou de lhe dar chocolates. Ella é levemente desastrada e acaba por derrubar alguns sacos de húmus que Elle estava à empilhar. Elle reclama, mas quando seus olhos cruzam com os de Ella, Elle se apaixona imediatamente. Depois de alguns problemas com o sogro carrasco de Elle e a sogra magera de Ella, os dois se casam, constroem uma casa no subúrbio, tem um casal de gêmeos e vivem felizes, depois de arrranjar e casar os pais (que são viúvos e no fundo só queriam o bem dos filhotes!) FIM. Não, não ficou legal! Todo romance precisa de um antagonista! Ele tem que ser bonito, misterioso e rico! Para dar MUITA vantagem em cima do pobre protagonista, que é obviamente o mocinho de bom coração. Estabeleceremos Elle como protagonista (sim, sou sexista, todo mundo o é!) e “O Anttagonista” como antagonista, ok?! Pois então: Elle está perdidamente apaixonado por Ella, mas esbarra sempre no melhor amigo de infância de Ella, o Anttagonista. Anttagonista mima Ella com presentes de todos os gêneros, já a levou para viajar, se dá muito bem com o pai de Ella e inclusive já trocaram alguns beijos (com Ella, não com seu pai!), mas Ella JURA que são apenas amigos, mesmo depois de Anttagonista pagar uma prostituta (de bom coração! Sempre! Pois ela vai dizer a Elle, no final quem tramou tudo!) para tirar fotos com Elle na cama, narcotizado. Elle, depois de arrancar a verdade da prostituta de bom coração, convence Ella que Anttagonista é mau e DAÍ SIM eles arranjam os pais, se casam, constroem uma casa no subúrbio, tem gêmeos e vivem felizes para sempre. FIM Não, não ficou legal. Precisa de um toque de realidade, não? Que tal Elle ter câncer e Ella ser a única doara de medula possível, entregando-se ao amor no meio da enfermaria!? Huuummm, meio forçado. Melhor assim: Anttagonista não dá chance ao azar e, depois de pagar a prostituta de bom coração, leva Ella para Paris, onde se casam, constroem uma MAGNIFICA CASA de frente à torre Eifel, tem um casal de gêmeos, um gato persa branco que só falta falar e adotam um nigeriano adolescente. Elle descobre-se gay, pois nem quis ficar com a prostituta de bom coração de lambuja, e tem um caso com o pai d’Ella. FIM É, gostei mais deste. |
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